MilhasNaHora Vender milhas

Manual das milhas paradas · capítulo 3 de 10

O CPM efetivo: a conta que decide tudo

Uma divisão de uma linha separa quem sabe o que tem de quem acha que sabe. Ela responde se a promoção é boa, se o cartão vale a anuidade e se compensa vender.

CPM é custo por milheiro: quanto custam mil milhas. É a única unidade que permite comparar coisas diferentes — uma promoção de transferência, uma anuidade, uma proposta de compra — na mesma régua.

A fórmula

CPM = (quanto você gastou / quantas milhas recebeu) x 1.000

Se você pagou R$ 300 numa promoção de compra de pontos e recebeu 20.000 milhas, o CPM foi R$ 15,00. Pronto. A partir daí, tudo vira comparação de dois números na mesma unidade.

Com bônus de transferência, a conta muda de lugar

É aqui que quase todo mundo erra, porque o bônus não altera o que você gastou — altera quantas milhas chegaram do outro lado.

Digamos que você tem 10.000 pontos Livelo que lhe custaram R$ 200 (CPM de R$ 20,00) e transfere para a Smiles numa promoção de 100% de bônus. Chegam 20.000 milhas Smiles. O gasto continua sendo R$ 200, mas agora dividido por 20.000: o CPM efetivo caiu para R$ 10,00.

O MESMO DINHEIRO, DOIS RESULTADOSSem bônusR$ 200 gastos-> 10.000 milhasCPM R$ 20,00Com 100% de bônusR$ 200 gastos-> 20.000 milhasCPM R$ 10,00O gasto não mudou. O que dobrou foi a quantidade de milhas que chegou.
O gasto é o mesmo nos dois casos. O que muda é quantas milhas chegaram do outro lado.

É por isso que o bônus é a alavanca mais forte do jogo. Ele não dá desconto: ele dobra o denominador.

E quando a paridade não é 1:1

Alguns programas convertem em outra proporção. A conta é a mesma, só entra um passo: multiplique os pontos pela paridade, depois pelo bônus, e só então divida. Errar a ordem aqui produz um número otimista que faz a promoção parecer melhor do que é.

As três perguntas que o CPM responde

1. Esta promoção é boa?

Compare o CPM efetivo da transferência com o preço de mercado daquela milha. Se você vai adquirir milha Smiles a um CPM efetivo de R$ 10,00 e o mercado paga por ela mais do que isso, a promoção é boa em termos financeiros. Se o CPM efetivo fica acima do preço de mercado, você está pagando caro por milha que poderia simplesmente comprar mais barato — ou não comprar.

2. A anuidade vale?

Some a anuidade ao que você gastaria de qualquer jeito, divida pelas milhas que o cartão gera no ano e compare com o preço de mercado. Um cartão de R$ 1.200 que gera 30.000 milhas por ano entrega um CPM de R$ 40,00 só de anuidade — e nenhuma milha nacional vale isso.

3. Vale mais emitir ou vender?

Esta é a pergunta do próximo capítulo, e ela também é uma divisão. Pegue o preço da passagem que você emitiria, em reais, e divida pelas milhas que ela custaria. O resultado é quanto aquela emissão específica está pagando pelo seu milheiro. Compare com o que o mercado paga em dinheiro.

Um exemplo completo

Você tem 60.000 milhas Smiles. Está de olho numa passagem que sai por R$ 1.800 em dinheiro ou 45.000 milhas mais R$ 120 de taxa.

Nenhum comprador de milhas do mercado paga perto disso por milha Smiles. Ou seja: nesse caso, emitir ganha de vender, e por larga margem. Guarde este exemplo — ele é o argumento honesto contra a venda, e ele aparece com frequência quando a passagem é cara e a data é apertada.

Agora troque a passagem: um trecho doméstico que sai por R$ 380 em dinheiro ou 20.000 milhas mais R$ 60. O CPM da emissão vira R$ 16,00. A conta ficou apertada — e aí entram o seu tempo, o risco de a milha vencer e a chance de você não viajar. É exatamente esse território cinzento que o próximo capítulo organiza.

A regra de bolso

Se o CPM da emissão for mais que o dobro do preço de venda no mercado, emitir quase sempre ganha. Entre uma e duas vezes, entra o seu perfil: quem não viaja com frequência costuma ganhar mais vendendo. Abaixo de uma vez, você estaria literalmente pagando para usar a própria milha.

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