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Manual das milhas paradas · capítulo 7 de 10

Como não cair em golpe

Os sinais que aparecem antes do prejuízo, e as três exigências que sozinhas eliminam a maior parte do risco.

O golpe na venda de milhas quase nunca começa com uma proposta absurda. Começa com uma proposta boa e uma pressa razoável. Estes são os sinais, em ordem de frequência.

Os sete sinais

  1. Pedem o seu login e senha. É o sinal número um, e sozinho já basta para encerrar a conversa. Quem tem a sua senha pode transferir o saldo, mudar o e-mail de contato e trancar você para fora da própria conta. Nenhuma operação legítima precisa disso.
  2. O pagamento sai para outra pessoa. Se pedirem para o PIX cair na conta de um parente, sócio ou "financeiro", pare. O dinheiro tem que ir para a conta do mesmo CPF titular das milhas, sem exceção.
  3. Pressa exagerada do comprador. "Transfere agora antes que o preço mude", "depois a gente formaliza". Operação honesta não pula etapa — justamente porque ela também está se protegendo.
  4. Nada por escrito. Sem contrato, sem preço registrado, sem prazo definido. Se der errado, você não tem o que mostrar.
  5. Preço muito acima do mercado. Ninguém paga bem mais que os outros por bondade. Preço fora da curva costuma ser isca ou promessa que não será cumprida.
  6. Empresa sem rastro. Sem CNPJ visível, sem endereço, sem histórico. Uma busca de dois minutos evita a maior parte dos casos.
  7. Pagamento só depois da emissão, sem prazo definido. Não é golpe por si só — é o modelo padrão do mercado. Mas quando ninguém consegue te dizer quando a emissão acontece, você está financiando um desconhecido por prazo indeterminado.

As três exigências que resolvem quase tudo

1. Contrato antes da transferência

Um contrato de compra de milhas não precisa ser complicado, mas precisa cobrir sete pontos: quem são as partes com CPF e CNPJ, qual programa e quantidade, o preço fechado por milheiro, o prazo de pagamento com data, a chave PIX de destino e a titularidade dela, o que acontece se a conta for bloqueada, e como cada lado pode desistir.

Assinatura eletrônica com validade jurídica resolve isso em minutos. Se a outra parte resiste a assinar, você já sabe o que precisava saber.

2. PIX no CPF do titular das milhas

Parece burocracia e é a trava antifraude mais barata que existe. Ela impede o golpe clássico em que alguém usa a sua conta e direciona o dinheiro para terceiro. Também protege você do outro lado: se o pagamento sai para o seu CPF, fica documentado que a operação foi sua.

3. Você emitindo, não entregando a conta

O modelo de menor risco — para a sua conta e para o seu bolso — é o comprador mandar os dados do passageiro e você fazer a emissão. Nunca há acesso de terceiro, o que elimina o gatilho de bloqueio mais comum, e você mantém o controle do saldo até o último momento.

Duas checagens de dois minutos

Se já deu errado

  1. Reúna tudo por escrito: conversas, contrato, extrato mostrando a saída das milhas, comprovantes.
  2. Registre reclamação formal no canal da empresa e guarde o protocolo.
  3. Se houve emissão sem pagamento, é descumprimento de contrato — a via civil existe, e o contrato assinado é o que a torna viável.
  4. Avise o programa se houver suspeita de acesso indevido à sua conta, e troque a senha imediatamente.

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